Ontem li um texto de Luis Justo em que ele colocava duas ideias frente a frente: devemos trabalhar com aquilo que amamos ou podemos aprender a gostar daquilo em que nos tornamos bons?

Em determinado momento, ele escreve uma frase que ficou comigo: “Paixão sem disciplina vira hobby.” Talvez porque ela explique bastante da nossa própria história.

A Grão Pasta nasceu, sim, do prazer de fazer massa. Do encantamento pelos ingredientes, pelas combinações, pelos queijos, pelas cores naturais e pelo ritual de transformar farinha e ovos em algo capaz de aquecer uma mesa. Essa é a parte bonita.

Mas fazer nascer uma empresa a partir disso exigiu descobrir todo o resto. Aprender que uma receita maravilhosa também precisa de ficha técnica. Que um queijo incrível precisa chegar na quantidade certa, no dia certo e pelo custo certo. Que embalagem, logística, temperatura, estoque, validade, preço e margem também fazem parte da massa — ainda que ninguém os veja quando ela chega ao prato.

A paixão nos coloca em movimento. Mas não é ela, sozinha, que sustenta o caminho.

Ao longo dos anos, aprendemos sobre ultracongelamento, produção, fornecedores, varejo, negociação, legislação, planilhas, erros e perdas. Algumas dessas coisas aprendemos porque gostávamos. Outras, porque precisávamos. E talvez esteja aí uma espécie de maturidade profissional: entender, como provoca Luis Justo, que fazer o que se ama não significa necessariamente amar tudo aquilo que o trabalho exige.

Continuamos amando pensar em uma massa nova, encontrar um queijo especial, testar uma combinação improvável ou ver um ravioli bonito saindo da produção. Mas ninguém precisa fingir sentir a mesma emoção diante de uma planilha de custos. Ainda assim, ela precisa existir.

Talvez crescer seja justamente isso: não abandonar aquilo que nos trouxe até aqui, mas aprender tudo o que é necessário para levá-lo adiante.

Hoje, a massa continua no centro da Grão Pasta. Ao redor dela, porém, foi sendo construída uma empresa. E seguimos entendendo que fazer o que se ama também significa aceitar o trabalho, a disciplina e as escolhas necessárias para que aquilo que começou como paixão possa continuar existindo — e crescendo.

Para aquecer a alma, basta ferver a água. Para construir uma empresa, descobrimos que é preciso um pouco mais.

 

Até mais,

 

Mônica