Uma das coisas mais curiosas de criar é que uma ideia raramente termina nela mesma.

Ela começa em algum lugar, encontra outra pelo caminho, faz uma curva e, quando a gente percebe, já estamos seguindo por um caminho que nem estava previsto no início.

Talvez por isso eu goste tanto de pensar no nosso logo.

A Grão Pasta tem como símbolo um prato de espaguete visto de cima. Um emaranhado de fios que se encontram, se cruzam e, juntos, formam alguma coisa.

E talvez esse prato diga mais sobre a gente do que imaginávamos quando ele foi criado.

Porque criar também é um pouco assim.

A gente começa puxando um fio.

No Sol e Pera, esse fio passa pela massa de cenoura, encontra a pera, encontra o queijo maturado, encontra o equilíbrio entre o doce e o salgado.

E então aparecem as cascas.

Das cascas nasce o crocante.

Eu já contei aqui essa história do aproveitamento, então hoje não quero falar exatamente sobre ele. O que me interessa é perceber que aquela ideia não terminou no ravioli.

Ela continuou.

Puxou outra.

Na cozinha isso acontece o tempo inteiro.

Um ingrediente leva a uma combinação. Uma textura faz pensar em outra. Uma sobra deixa de ser sobra. Uma tentativa que não sai exatamente como a gente imaginava acaba mostrando um caminho novo.

E, sem perceber, vamos puxando fios.

Alguns se embaraçam. Outros precisam ser desfeitos. Às vezes voltamos para o começo. Às vezes seguimos por outro caminho.

Mas, de vez em quando, aquele emaranhado começa a fazer sentido.

Talvez a Grão Pasta tenha escolhido um prato de espaguete como símbolo antes mesmo de perceber que ele dizia tanto sobre a forma como a gente cria.

Um fio encontra outro.

Uma ideia encontra outra.

E alguma coisa nova aparece no meio do caminho.

No fim, talvez seja só isso.

Continuar puxando o fio e ver onde ele vai dar. É isso aí!

 

bjs

Mônica